segunda-feira, 15 de abril de 2013

Por que as pessoas viajam hoje?

- Mãe, por que as pessoas viajam hoje?
- A maioria das pessoas viajam hoje para tirar fotos filho e mostrar que estão lá para os que ficaram!
- Mas elas não curtem e nem sentem de fato o lugar o qual estão visitando?
- Infelizmente não! Elas só se dão conta do que perderam depois que voltam.
- Entendi!


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Edval Domingues

Um breve "Oi"!

Nesta páscoa - em uma confraternização com amigos - conheci uma moça a qual assim que seu filho nasceu com 8 meses de parto normal induzido, ela o pegou no colo, olhou pro seu rosto e disse: "Tchau filho. A mamãe te ama muito". Ele havia perdido a vida, poucas horas antes, ainda em seu útero.

Quando acho que sou forte superando algumas dificuldades impostas pela vida...



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Edval Domingues

Fidelidade

Fidelidade não é uma coisa que se exija ou obrigue o outro a nos dar. É cada um que decide se dará a sua ou não a alguém. Espero mesmo me sentir querer ser fiel a você. Espero mesmo que você sinta querer ser fiel a mim.


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Edval Domingues

Ficou ótimo! Obrigado!

- Não! Não foi isso que eu te pedi! Você se lembra do que eu falei antes de você começar... de como eu queria? Não era assim! Era completamente diferente! Essa pessoa que você vê agora não sou eu! Isso não tem nada a ver comigo! Vou te dizer que eu saí agorinha e resolvi que deveria encontrar um salão mais próximo a minha casa. Rodei esse bairro inteiro a pé e ao passar aqui em frente - apesar de achar a "cara" meia-boca - eu pensei: Por que não experiementar? Por que não arriscar? Ando exigente demais! Entrei, olhei pra vocês e novamente eu fiquei na dúvida: Elas, também não tem aquela "atitude" de quem eu gosto que corta meu cabelo! Tá... mas preciso ser mais humilde... vamos em fente! E agora? E agora você cagou no meu cabelo! Olha isso! Você não entendeu nada do que eu tinha falado! Quer saber? Não vou pagar por esse corte! Foda-se! E, honestamente, se eu fosse você, mudaria de profissão!

Isso era tudo que eu gostaria de ter tido hoje. Mas eu simplesmente disse:

- Ficou ótimo! Obrigado!


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Edval Domingues

Amigos e Pista

... todos dançam e junto deles está você e uma parte de seus melhores amigos. Você sai, senta-se no canto de um grande sofá vazio e começa a observá-los. Na sua mão um copo de Gim-tônica. Você toma um gole, cruza as pernas, acomoda-se e começa a observá-los dançarem, abraçarem-se, fecharem os olhos, brincarem, gargalharem. Sua boca sorri também! Segurando o copo com a duas mãos entre as pernas você sente que está prestes a presenciar um acontecimento. Em uma mixagem o DJ lança sobre todos uma música que te faz, por um instante, sentir verdadeiramente que a mais honesta e fraterna felicidade tomou conta de tudo. Sua boca sorri novamente! Todos são alegria. Todos são crianças. Todos são dança. Você se lavanta e se junta a eles.

Câmera lenta!

Congela!


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Edval Domingues

Um depoimento!

"... nesse sentido eu não me sinto mais sozinha porque acho que esqueci o que é estar com alguém. Apesar disto, apesar dos anos que rompemos, continuo a deitar-me do mesmo lado da cama como se o outro lado ainda o pertencesse. Engraçado não?"


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Edval Domingues

O menino do Pano de Prato e Eu: um curto diálogo.

- Moço, com licença... o senhor gostaria de comprar um pano de prato?
- Não "baxinho"! ...brigado!
- Então será que o senhor poderia pagar um Chocolate Twix pra mim? Eu falo pra moça do caixa o número da sua comanda!
- É........... tudo bem! Vai lá!
- Obrigado moço! : )


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Edval Domingues

Encontro e Silêncio

Hoje, depois de desembarcar na Estação Ana Rosa, cruzei com um amigo que não via há dois anos descendo as escadas. Fiquei feliz por vê-lo, me virei, minha boca se abriu mas nenhum som saiu dela com a intenção de chamá-lo. Ele desapareceu, me virei mais lento, continuei subindo as escadas me apoiando no corremão procurando entender minha decisão pelo silêncio. Agora, penso que algumas relações terminam e que se mexo nelas novamente corro o risco de estragar as boas memórias que tive daquela convivência. Penso, também, que corro o risco de não me surpreender, ainda mais, com o que poderia acontecer. Desta vez, resolvi não arriscar.

Entendo e aceito minha decisão em paz.

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Edval Domingues

Por que?

- Você me ama?
- Amo!
- Por que?
- Por que? Não sei! Não parei pra pensar nisso ainda!
- Se você me ama você precisa saber o porquê!
- Por que? Que conversa é essa? Eu te amo! Eu... não preciso saber do porquê!
- Precisa!
- Não preciso!
- Precisa! Eu quero saber!
- Ok! Você me ama?
- Amo! Amo sim! Claro!
- Por que?
- Porque.... pera aê! Essa pergunta é minha!
- Não interessa! Quero saber agora também!
- Tá bom! Vamos falar sobre outra coisa! Ok?
- Ok!
- Eu te amo!
- Eu também te amo!
- Oi... moça, por favor! Me traga um expresso!
- Dois por favor! E... e uma água! ...com gás!

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Edval Domingues

Eu, uma fraude!

"Sentia-me uma fraude depois que ele foi embora. Tudo o que eu falasse, gostasse, desejasse eram referências que me foram apresentadas por ele."


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Edval Domingues


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A mulher que escolheu ser invisível

São 11h30 de uma manhã de sábado na padaria Recando Doce. A maioria dos presentes acordou tarde e, por isto, está fazendo a primeira refeição do dia.

Como esperado às 11h30 de todos os dias da semana ela entra em suaves passos rápidos. Sua cabeça apenas se ergue para verificar se sua mesa favorida está desocupada. Certificada que sim, ela abaixa novamente seu rosto e caminha como se seguisse uma trilha que a conduzisse até um de seus ninhos seguros.

Ela senta. Seu olhar se fixa em um pequeno quadro cuja pintura é mais uma paisagem bucólica, com uma pequena casa construída no leito de um rio, onde se percebe a presença de alguém no seu interior devido a fumaça que sai da chaminé.

Ela não usa batom e nem qualquer tipo de pintura. Seu cabelo é grisalho, aparentemente nunca recebeu uma demão de tinta e está apenas preso atrás por um elástico preto desfiado. Sua roupa é simples: uma camiseta velha, larga, branca, porém limpa, sobre uma calça leg preta. Nos pés, um par de havaianas marrom. Subo novamente meus olhos e vejo em suas orelhas um pequeno par de brincos de prata: eis o seu único sinal de vaidade.


Seu semblante não é de uma pessoa triste. Há traços de felicidade. Ou seriam traços de superação?

Ela não folheia um livro ou revista.
Ela não tecla seu celular. Talvez não possua.
Apenas segura entre as mãos postas entre as pernas as chaves de sua casa.

O som das conversas paralelas abafado pela mastigação descontrolada dos famintos, o som dos talheres sendo lançados violentamente sobre os pratos, o som da serra da faca no movimento de vai e vem sobre a louça, o som do choro do bebê pedindo que sua mãe também o alimente, o som do liquidificador triturando frutas e gelo, o som do celular que não é atendido, o som da troca da travessa de ovos mexidos, o som das três televisões penduradas ligadas no mesmo canal, nenhum! Nenhum deles é capaz de disputar sua atenção com o seu próprio silêncio.

Ela não espera ser observada.
Ela não espera ser admirada.
Ela não espera que falem com ela.
Ela não espera que lhe ofereçam algo ou que a perguntem se gostaria de fazer algum pedido.
Elá só espera pela troca dos pratos do café da manhã que serão substituidos às 12h30 pelos pratos do almoço.


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Edval Domingues

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Desabafo de um amigo!

"Amigos, quando eu despejava sobres você minhas questões, dúvidas sobre meu momento de vida, eu, na verdade, os usava para encontrar respostas que me tirassem do buraco negro que estava enfiado naquele momento."


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Edval Domingues

terça-feira, 25 de maio de 2010

Encontro consigo mesmo!

Estive pensando:

Queria me ver de longe. Me observar. Sair de mim mesmo.

Como sou? Com quem me pareço, além de mim? Como é o meu sorriso longe do espelho? Como são meus movimentos corporais, gestos? Tenho tiques? Me interessaria por mim mesmo? Se sim, que tipo de interesse seria gerado em mim por mim? Eu me acharia engraçado? Será que eu gostaria de ser como ele, digo eu?

Observaria as pessoas me observando. Observaria meu andar. Como eu sou de costas? E as proporções do meu corpo? Eu me acharia esquisito ou interessante? Como seguro os objetos? Como é o meu olhar? Como é a minha voz?

Me aproximaria de mim por que precisaria me observar mais de perto.

Como seria me ver como vendo outra pessoa? Precisaria me tocar!

E se eu não quisesse mais ficar longe de mim? E se eu entendesse que eu não deveria mais sair de perto de mim pra cuidar de mim? Eu precisaria ser invisível pra me seguir sempre, me protegendo, me livrando da contra-mão da vida.

Eu envelheceria junto comigo, cuidando de mim.

Mas eu poderia voltar e, com isso, me livrar da minha auto-proteção. Melhor ser somente um, livre, correndo os riscos ou ser dois trazendo para mim a responsabilidade do cuidado, proteção para com o outro eu? Não sei!

Mas eu precisaria falar comigo porque, assim, ficaria mais fácil cuidar de mim. Conseguiria? conseguiríamos? Eu invisível conversando comigo, me ouvindo, o tempo todo sobre o que fazer, falar, como agir... Como seria essa relação? Seríamos amigos ou nos desentenderíamos?

E se nos déssemos tão bem que eu, não contente apenas com o som da minha voz quisesse também me ver:
_ Já que você existe, me vê, cuida de mim, também quero te ver, cuidar de você. Que essa relação seja recíproca.
Seríamos dois. Iguais. Um cuidando do outro. Se vendo, se tocando. Dois parceiros, dois amigos. Eu, cuidando de você, você cuidando de mim. E o resultado dessa troca seria o que os outros viria.

Eu apenas queria me ver de longe, me observar. Mas concluo que essa relação possa tomar rumos desconhecidos, imprevistos.


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Edval Domingues

sábado, 22 de maio de 2010

... e...?

... e minhas roupas?
... e meus dvds?
... e meus quadros?
... e meus livros?
... e meus óculos?
... e meus perfumes?
... cadê meus sapatos?
... e minhas ferramentas?
... e o gato?
... o que eu faço com os móveis?
... aonde eu vou tomar café agora? em qual café?
... e a academia?
... e meus finais de semana?
... e a viagem que a gente programou pro final do mês?
... e as lembranças?
... e quando eu ouvir Nina Simone cantando?
... e esse lugar aqui que era meu lugar... como vou vê-lo a partir de agora?
... e o significado de você na minha vida?
... e a paisagem?
... como vejo o mundo agora sem a sua visão sobre ele?
... e minha vida sem você?
... existe minha vida sem você?
... e a saudade que vou sentir?
... e o meu amor?
... e a dor?
... e a falta que você vai me fazer?
... e vou esperar por quem toda noite a partir de agora?
... e o seu sorriso?
... e a sua alegria?
... e você?
... o que eu faço sem sua presença?
... e o luto?
... e quando eu for dormir?
... dormirei sem você?
... e eu?
... e eu sem você?
... existo sem você?


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Edval Domingues

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Eu e a Vaca

"Certa vez, viajei pra fazenda de minha tia em Minas Gerais a procura de um refúgio após fugir, literalmente, de um relacionamento de quase 4 anos que não me deixara outra alternativa a não ser, novamente arrumar minhas coisas e partir. Ao contrário das outras vezes não quis ir pra casa dos meus pais porque sabia que precisava de um lugar que me oferecesse espaço geográfico para caminhar, silêncio para refletir, mato para me enfiar e chorar alto, bem alto (para descarregar toda a dor que eu estava sentindo) e paisagem para refletir sobre os rumos que minha vida havia tomado.

Já na fazenda, da janela da cozinha, olhei em direção ao curral e vi um vaca dentro do barracão. Ela estava em pé, trêmula, olhos úmidos e vivos fixados no chão. Respiração lenta, quase imperceptível. Não piscava. Seu pescoço, pernas e barriga em carne viva. Sua boca com um rasgo de aproximadamente 1 cm. O único movimento que se via era de seu rabo espantando as moscas que saciavam sua sêde no sangue que brotava dos seus ferimentos. Minha tia me disse que Morena (a vaca) entrara no pasto da fazendeira vizinha, após romper uma cerca, e que a bruxa trancara a pobre rês em um cercado e estumado seus cães para lhe darem uma lição.

Não se sabe ainda o motivo que levou Morena a cometer tal delito. Mas assim como ela, meu sofrimento era devido a rompimentos de cercas de um relacionamento o qual nunca houve convites para entrar através de uma cancela de boas-vindas. O amor me fez forçar uma entrada mesmo sabendo que não era completamente desejado.

Ficamos ali, os dois em recuperação durante 20 dias. Eu era Morena. Morena era eu.

Coincidência ou não, na mesma manhã que parti da fazenda, minha tia resolveu abrir as porteiras do curral para que Morena também ganhasse o pasto e recomeçasse sua trajetória. Partimos os dois.

- Tia, como está Morena hoje?
- Ela está bem! Se recuperou! Cheia de vida novamente! Só ficaram várias cicratizes pelo corpo!

Eu sou Morena. Morena sou eu."

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Edval Domingues

terça-feira, 13 de abril de 2010

Você online

Estou no meu e-mail e ao lado do seu endereço aparece uma bolinha verde dizendo que você está online.
Olho pra ela!
Passo o cursor sobre ela como se a estivesse acariciando.
Durante esse momento lembranças passam na minha cabeça.
Não tenho nada a dizer!
Você também não! Pra gente que um dia ligava um pro outro sem ter o que falar.....!
A luz se apaga!
Você foi embora!
Bloqueio meu computador!
Vou ao banheiro!
Sento-me no vaso, trêmulo!
Apago a luz!
Abaixo a cabeça!
Fecho os olhos!
Fico ali por um instante esperando que a tensão gerada em mim vá embora.
Ela não vai!
Levanto-me!
Lavo o rosto e volto a trabalhar!


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Edval Domingues

segunda-feira, 22 de março de 2010

Religião X Cultura

Acho que o ser humano sente necessidade de cultura assim como sente fome, sede... Quando ele não tem acesso a ela, precisa desesperadamente tapar o buraco de alguma maneira. Aí é que mora o perigo. Muitos se agarram as religiões buscando nelas suprir suas necessidades culturais. Para mim, o homem deveria procurar em sua crença, único e exclusivamente se aproximar de um ser superior e ver nele um apoio, uma força significativa para sua vida.


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Edval Domingues